sexta-feira

TOME LÁ O DINHEIRO




Com recurso às mais variadas técnicas, os burlões têm algo em comum.
Fazem sempre crer à vítima que lhe vão prestar uma ajuda. O burlão passa por alguém que vai beneficiar o futuro lesado.
Pensemos no exemplo da cautela de lotaria que foi premiada. Ou no caso das cartas da Nigéria, que prometem uma fortuna para quem auxiliar na transferência de fundos para uma conta bancária. Ou então no indivíduo que vai realizar uma compra fabulosa a um comerciante. Ou naquele que propõe um negócio altamente rentável.
O trapaceiro não insiste nem faz grande esforço para convencer a vítima.
Limita-se a esperar que a pessoa lhe peça para fazer parte de um negócio.
A vontade de ganhar dinheiro ou o desespero levam a que se caia no conto do vigário.
Uma situação cada vez mais frequente é a que se gera com os anúncios classificados, que prometem financiamentos.
Um pequeno texto alude a empréstimos e indica um número de telemóvel.
O interessado liga e perguntam-lhe de que localidade ele fala.
O burlão revela que tem alguns clientes na zona e disponibiliza-se a marcar encontro na casa do próprio cliente ou num local público.
Quando se reúnem, o consultor de financiamentos explica o modo de funcionamento da sua prestação de serviços.
Ele irá providenciar pela obtenção de um empréstimo junto de uma entidade bancária, graças aos seus relacionamentos especiais.
Todavia, esclarece dois aspectos importantes.
Irá realizar tentativas em vários bancos. Pode algum deles recusar o empréstimo ou cobrar juros demasiado elevados. Se assim for, terá de se recorrer a outra instituição. Portanto, é impossível dizer, desde logo, qual será a entidade que irá conceder o financiamento.
Por outro lado, como é natural, o interessado terá de proceder à abertura de uma conta no respectivo banco.
É isto que deve ficar bem claro na mente da vítima que irá cair neste logro.
Se ele compreender e aceitar tal como natural, não tardará a entregar dinheiro ao burlão.
A pessoa que pretendia obter um empréstimo afinal vai dar dinheiro ao tal consultor, que prometia as maiores das facilidades na concessão de empréstimos.
Depois deste encontro, o burlão entra novamente em contacto com o cliente.
Diz-lhe que importa iniciar os procedimentos. Para isso, o interessado deve fornecer-lhe cópias do bilhete identidade e do cartão de contribuinte.
Para conferir maior credibilidade, insiste na necessidade de as fotocópias ficarem bem legíveis. Os novos modelos dos cartões de contribuintes possuem um fundo escuro, mas é essencial que a reprodução tenha qualidade. É claro que nunca irão ser utilizadas e vão directamente para o lixo. Mas a vítima fica convencida de que se trata de algo sério.
De seguida, tem de se tratar da abertura da conta. Para tal, o montante mínimo é de trezentos euros.
A questão é que ainda não se sabe qual será o banco que irá conceder o empréstimo. Portanto, este valor deve ser entregue directamente ao consultor, que depois providenciará pela abertura da conta. O pagamento é feito em numerário ou por transferência bancária.
Evidentemente, após a entrega deste dinheiro, não há financiamento nenhum. A vítima fica despojada daquela quantia.
Raramente, é apresentada queixa-crime.
O lesado sente-se de tal modo envergonhado que já nem quer ouvir falar mais do assunto. Prefere esquecer o tema e admitir que foi tudo ingenuidade sua.
Em todo o caso, o aldrabão joga pelo seguro. Previne-se com uma jogada de antecipação.
Ele encontra-se sempre inscrito nas finanças como comerciante.
Na eventualidade de a vítima o processar, ele irá defender-se, dizendo que realmente recebeu os trezentos euros. Mas tal foi o pagamento relativo a uma venda efectuada.
Comprova-o um recibo exactamente desse valor, devidamente declarado às Finanças.
Curiosamente, o mesmo não indica o nome do comprador.
É que a factura foi elaborada mesmo somente para aquela possibilidade de alguém se queixar.