sexta-feira

A INDISPENSÁVEL CUNHA


Alvíssaras!!! Alcancei a felicidade plena!
Adoro praia. Mas sempre tive aquela ansiedade, aquele medo de se me dar, de repente, um eclipse solar e ficar completamente às escuras, de calções e boné, no meio da multidão, nas areias de Sesimbra.
Agora, graças ao catálogo D-Mail, já posso ter um boné com luz.
Depois dos frigoríficos para esquimós, esta é a invenção do milénio.



Como se escreve:
a) Conductor? OU
b) Condutor?

Este anúncio é um clássico do catálogo D-Mail. O infeliz automobilista de boné que recupera a alegria de viver, após instalar a “indispensável” almofada “em forma de cunha”.
Já me tinham contado que, em certos casos, é indispensável uma cunha. Mas não sabia que se referiam a este travesseiro para carros.
Agora o que me intriga é que, no novo catálogo, o texto foi alterado. Presentemente, chamam “conductor” ao tal cavalheiro de boné (com as luzes, ele ainda devia ficar mais contente).
Assim, mesmo: “conductor” com c.
Ando desconfiado que isto tem que ver com a forma como foi conduzido o acordo ortográfico.
Um acordo é feito de cedências de parte a parte.
Estou a ver o brasileiro a convencer os outros lusófonos que teriam de passar a escrever motor de injeção direta, em vez de “injecção directa”. Vai o português, que não se deixa ficar, e atira:
- Está bem. Quanto ao motor, estamos assentes. Em contrapartida, o condutor do carro passa a levar com um c.

(Catálogo D-Mail, Março 2011)