sábado

UMA NAMORADA COM GRANDE DIPLOMACIA



Todos os juízes já efetuaram julgamentos de arguidos acusados de conduzir automóveis sem que sejam titulares de carta de condução. É um crime de pequena gravidade, sem vítima, em que não há prejuízos. Mas constitui um perigo para a segurança rodoviária. Estes indivíduos não foram aprovados nos exames em que se afere a sua capacidade para guiar.
A verdade é que muitas pessoas colocam-se ao volante de um carro, antes de possuírem a carta de condução.
Na sua autobiografia, Roberto Leal relata um episódio encantador.
Aos onze anos de idade, partiu com a família para o Brasil. Aí conheceu Márcia, com quem viria a casar em 1974, após um longo namoro.




ARREBITA

Três anos antes do enlace matrimonial, o cantor alcançou um enorme sucesso com o seu primeiro disco: “Arrebita”. Tinha 20 anos e o dinheiro suficiente para comprar um carro. Mas ainda não se inscrevera na escola de condução.
Em todo o caso, encomendou um Volkswagen TL, novinho em folha. Decidiu fazer uma surpresa a Márcia. O stand localizava-se perto da sua editora discográfica, em São Paulo.
O artista decidiu fazer uma surpresa à namorada. Pediu-lhe para ela o acompanhar aos escritórios da RGE. Acabaram no local onde se comercializavam os automóveis alemães.
- É nosso – disse Roberto Leal, referindo-se a um dos veículos em exposição.
- Mas você sabe dirigir?!? – perguntou Márcia, estupefacta.
O cantor respondeu afirmativamente. Na realidade, apenas tinha pegado numa viatura uma única vez, aos 14 anos de idade.


CHEIRO A ESTURRO

E lá saíram os dois, em direção a casa, sentados no bólide.
Aos 14 anos, Márcia tinha também passado por uma experiência, envolvendo automóveis. Mas altamente traumatizante. Fora vítima de um grave acidente.
Naquele momento, ela estava alegre, mas com receio.
Roberto fingia à-vontade. Ia pisando o pedal da embraiagem e engatando as mudanças.
A futura mulher compreendeu perfeitamente que ele se tinha esquecido de algo fundamental. Mas não quis ferir o orgulho do feliz condutor. Márcia apenas lhe perguntou se ele não sentia um cheiro a queimado.
- É normal. Os carros novos são mesmo assim – disse Leal.
Algum tempo depois, a namorada insistiu:
- O carro não está a puxar, não desenvolve…
O noivo não se apercebia da origem do problema. Desculpou-se com a necessidade de fazer a rodagem.
Márcia apontou para a parte central do habitáculo, entre os dois assentos dianteiros e perguntou:
- O que é isto?
O travão de mão encontrava-se puxado até cima!
Sem reconhecer a falta, Roberto Leal destravou. Seguiu até casa, com o carro a deslizar pelas ruas paulistas. Márcia ia fazendo um constante pedido:
- Pode ir um pouco mais devagar?